O judaismo Portugues

E se hoje falàssemos de judaismo português?

E tentàssemos analizar porquê, e como, é que alguns de nós têm ascendência judàica!

Mas para isso, temos que visitar uma parte da nossa história para tentar perceber como é que os judeus chegaram à Portugal.

Antes do final do século XV, Portugal era um dos únicos países da Europa onde os judeus não eram perseguidos.

Pois foram expulsos de muitos paises. De Inglaterra, no século XIII, de França, no século XIV e, mais tarde, da Alemanha e da Rússia.

E na Itália, só podiam permanecer em guetos fora das muralhas da cidade. Não podiam praticar o comércio e outras atividades lucrativas, estavam privados de direitos políticos e civis. A única exceção era Roma, onde o Papa lhes permitia o direito de ali residir, dando-lhes proteção.

Em Portugal viviam de forma bastante livre, trabalhando como ourives ou joalheiros. Eram bem integrados, vestiam-se e comportavam-se de tal modo que ninguém os distinguia dos cristãos. Alguns tinham até títulos de nobreza.

E tudo isso graças ao rei português, D. Manuel I que começou por acolher os judeus que haviam sido expulsos de Espanha quatro anos antes.

A esses judeus expulsos de Espanha, deu-se lhes o nome de judeus sefardistas.

Mas, quando o rei D. Manuel quis casar com a infanta espanhola D. Isabel, uma das condições dos seus futuros sogros era que o rei português teria que se livrar ele tambem, de todos os judeus que viviam em Portugal.

E este foi um grande dilema para o nosso rei português.

Que afinal acabou por emitir três ordens contraditórias:

– a primeira, foi determinar que os judeus, que não se convertessem ao cristianismo, deveriam abandonar o país.

– depois emitiu nova ordem proibindo os judeus de partirem.

– E por fim, no domingo de Páscoa, mandou juntar todos os judeus e mandou metê-los em igrejas, onde foram batizados à força.

Foi deste modo, que criou os « cristãos-novos » do reino de Portugal.

E assim fazendo, fez a vontade aos Reis Católicos e casou com a filha.

Mas infelizmente, foi desses batismos em massa e à força, que surgiram os marranos, nomes que se dava aos que praticavam o judaísmo em segredo embora publicamente professassem a fé católica.

E na realidade, os « cristãos novos » nunca foram realmente bem aceites pela população « cristã velha », que desconfiava da sinceridade da fé dos conversos.

E essa desconfiança evoluiu para a violência quando ocorreu o chamado Pogrom de Lisboa.

E o que foi este Progrom de Lisboa?

O Progrom de Lisboa, que ocorreu em 1506, foi um massacre dos judeus convertidos em cristãos.

E para tentar perceber melhor o contexto histórico em que se deu este massacre, temos primeiro de dizer que Portugal estava naquela época do século XVI, assolado pela peste, a fome e a miséria que faziam dezenas de vítimas por dia. E a população que jà desconfiava da sinceridade dos cristãos novos e insuflada por clérigos fanàticos deitaram a culpa destas calamidades sobre os cristãos novos, matando milhares de homens, mulheres e até crianças.

Este massacre, deu-se muito antes do inicio da Inquisição em Portugal.

E, foi quando Portugal caiu sob o domínio espanhol, em 1580, que D. Filipe, o rei espanhol, deu poderes à Inquisição para se financiar através dos bens confiscados aos judeus.

E assim começou a nascer em Portugal, um clima de anti-semitismo que fez com que muitas familias judàicas fugiram ou foram expulsas do País, tendo como destino principal os Países Baixos, a  França, aTurquia e o Brasil

Mas mesmo expulsos da Península Ibérica, os judeus só podiam deixar Portugal mediante o pagamento de « resgate » à Coroa. E no processo de emigração, os judeus tiveram que abandonar ou vender as propriedades por preços irrisórios e viajavam apenas com a bagagem que conseguiam carregar.

Durante a segunda guerra mundial, com a tomada dos Países Baixos e da França pelos nazis em 1940, milhares de judeus procuraram de novo refùgio em Portugal que se manteve neutro durante o conflito.

Aliàs, Aristides de Sousa Mendes que era na época da guerra, Consul de Portugal em Bordeus concedeu cerca de 30 mil vistos de entrada em Portugal a refugiados de todas as nacionalidades que desejavam fugir de França e dentro deles, muitos eram judeus.

Em Portugal, o governo que estava sob a liderança de Salazar, temendo represàlias da parte da Alemanha, impôs restrições à entrada de judeus em Portugal.

E à partir de 1942, em plena perseguição aos judeus na Europa, o governo português decretou a internação em zonas específicas como Caldas da Rainha, Ericeira e Figueira da Foz de todos os estrangeiros que houvessem entrado clandestinamente no país.

Mas apesar desta aparente restrição, em 1942 e 1943, milhares de Judeus conseguiram ainda entrar em Portugal, e à partir dos portos de Lisboa, Porto e Setúbal conseguiram finalmente, partir para o Brasil e para os Estados Unidos.

Estes ainda tiveram sorte, porque depois de 1943, já poucos eram os judeus que conseguiam escapar quer da Alemanha quer da França de Vichy.

E muitos foram presos e moreram nos campos de concentração.

Costuma-se dizer que os judeus que viveram em Portugal até 1497, quando foram obrigados a escolher entre a conversão ao cristianismo ou a expulsão fora de Portugalsubstituíram seus sobrenomes originais por nomes de árvores como Carvalho por exemplo ou Junqueira, Nogueira, Pereira e Oliveira…

Ou que teriam escolhido nomes de animais, como Coelho, Pinto e Carneiro…

Ou ainda nomes oriundos de profissões como Caldeirão, Martelo, Peixeiro…

Mito ou realidade?

Não se sabe ao justo!

Mas isto, não quer dizer que todos os portugueses que tenham um nome deste sejam de descendência judàica, mas é muito provàvel!

O que é certo é que os judeus portugueses que viveram em Portugal até 1497 tinham nomes que se distinguiam da população cristã.

Hoje, estima-se que 30 % da população portuguesa descende de judeus sefarditas : os judeus originários da Península Ibérica.

E curiosamente, hoje, não é muito frequente um português assumir as suas origens judaicas, como o fez por exemplo o antigo presidente da Câmara de Lisboa, Cruz Abecassis, o Antigo Presidente da República Jorge Sampaio, e os escritores Fernando Pessoa e Camilo Castelo Branco.

Mas muitas vezes, a história vem acordar as nossas mentalidades.

Em 2011, um grupo de judeus sefardistas descendentes dos judeus que foram expulsos de Portugal à partir do século XV e que vivem hoje nos Estados Unidos e no Brasil, vieram pedir ao governo português, um direito à nacionalidade portuguesa.

E, seja por reparação histórica ou por simples atribuição de um direito, o governo português aprovou no ano passado, em 2015, uma lei que atribui a nacionalidade portuguesa aos descendentes dos judeus expulsos de Portugal à partir do século XV.

Uma boa decisão da parte da parte do governo português.

Porque apesar do que se passou com os judeus ao longo da história, penso que o povo português nunca foi antisemita.

Porque tirando o período da Inquisição, Portugal nunca cultivou o antisemitismo, ao contràrio do que aconteceu em muitos outros países europeus.

E outra concidência ou consequência do decreto de lei sobra a aprovação da nacionalidade portuguesa aos descendentes dos judeus safardistas.

É proximadamente, a criação, em Lisboa de um Museu dedicado à história dos judeus, a abrir no primeiro semestre de 2017.

E a visitar, proximamente no Largo de São Miguel, em Alfama.

E hà outra estranha coincidência.

Hà quinze dias mais ou menos, um compositor norte americano, Neely Bruce estreiou uma obra sinfónica para homenagear o nosso “Schindler português”. O consul Aristides de Sousa Mendes, de que falàmos hà pouco.

E que durante a segunda guerra mundial desafiou Salazar, passando 30 mil vistos a refugiados judeus fugidos da perseguição nazi, salvando desta maneira milhares de vidas.

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